sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Era uma vez,

Uma formiga que queria ser um cupim.

Ela pensava: O dia em que me tornar um cupim, serei capaz de comer o Universo!

A formiga estudou muito. Era a primeira da classe. Formou-se no primeiro grau. Formou-se no segundo grau. Fez vestibular para Astrofísica. Não passou. Não cogitou desistir. Fez cursinho. Estudou obcecadamente. Passou.

No fundo, a formiga acreditava que, quando tivesse o Universo na pança, poderia realizar as mais incríveis coisas. Ela nem sabia que coisas eram essas, mas deviam ser coisas muito extraordinárias, em sua cabeça de formiga.

Formou-se. Pendurou em sua porta: Dra. Formiga, Consultas Sobre Física e Astronomia.

Programou o mestrado.

Ganhou bolsa para realizar o doutorado na Moon's University, a mais renomada escola de Astrofísica de que ela tinha notícia.

Despediu-se do formigueiro, morou na Lua por seis anos.

Voltou falando três línguas e com o Lattes mais bonito do mundo.

***

No dia em que voltou, a formiga pensou: Agora, estou perto de me tornar um cupim!

No entanto, nada tinha mudado, nem nela, nem no formigueiro.

Havia passado muito tempo, mas ela tinha a sensação de que não. Sentia-se a mesma de quando decidira ser cupim. Estava tão rigorosamente a mesma, que nem ao menos o envelhecimento tinha chegado para a formiga. Sentiu um mal-estar intenso e ininterrupto.

FINAL #1:
A formiga continuou tentando ser cupim e, como isso não é possível, foi infeliz para sempre.

FINAL #2:
A formiga desistiu de ser cupim, amargurou seu fracasso, azedou-se e foi infeliz para sempre.

FINAL #3:
A formiga lembrou-se da sensação que teve muitas vezes, ao estudar as teorias astrofísicas, de que, quanto mais estudava, menos sabia. Concluiu que havia muitas coisas que ela não sabia, e adotou uma postura humilde. Muitas pessoas disseram muitas coisas para ela, e ela aceitou a ajuda. As coisas sem valor permaneceram sem valor. As coisas valorosas deram frutos, e esses frutos devolveram o envelhecimento à formiga. Quando envelheceu, as coisas retomaram seu tamanho. Quando as coisas retomaram seu tamanho, ela viu claramente que não precisava ser cupim para sentir-se feliz. Então sentiu-se feliz e transformou-se em sua paz para sempre.

2 comentários:

Giovani disse...

Muito bom! Gostei dos três fins. Abraço!

Marcelle disse...

Amigo querido,
O mais legal, mesmo, é ter a companhia de vcs nos meus finais.
Um beijo grande!
Marcelle