Caminhando e Cantando e Seguindo a Canção
Apesar de ter sido uma maratona e eu ter tido uma virose ranhenta que me impediu de assistir o espetáculo de sexta (que o Lucas disse que era uma bosta mesmo), fiquei muito feliz com o que assisti do Porto Alegre em cena, êêê. Feliz mesmo. Tá, a apresentação dos coreanos foi meio pé no saco, muita energia para o meu cérebro sedentário, aquele japa sorrindo como se tivesse um pâncreas produtor de cocaína. Dolor Exquisito é uma história pela qual todo mundo já passou - deve ser por isso que entra em ressonância com alguma coisa dentro do nosso peito e faz doer. Tá, a autora, Sophie Calle, é uma leoa em termos de enfrentamento das tristezas da vida, e isso muito me agrada :) Ok, deu de spoiler.
Sábado foi o dia de Krapp's Last Tape no Teatro São Pedro. Nem estava esperando tanto assim, mal tinha lido a respeito, e amei do início ao fim. É uma dor, uma dor, uma dor, como diria o Tiaguinho. De repente, nos damos conta que estamos vivendo a vida daquele jeito - e isso é MUITO do caralho, isso é o exercício filosófico que a arte propõe e é essa arte que sinto fazer parte de uma força terrivelmente transformadora nas nossas vidas. Esse eu aplaudi de pé com vontade de abrir o berreiro.
Curiosidade: depois fui saber que Krapp's é uma das peças mais famosas de Beckett, de quem eu só tinha assistido Quad. Postei uma foto de Quad inúmeras vezes no Miolos Verdes Fritos, eu amava aquela cena. O ator, Robert Wilson, é um diretor americano e deve ser por isso que o Teatro São Pedro estava cheio de gente do lado de fora esperando pela possibilidade de que sobrassem lugares - o cara é badaladénho e, de quebra, estava de ator em uma peça dirigida por ele próprio.
O resultado do Porto Alegre em Cena deste ano foi (além deste blog) uma vontade imensa de ler Beckett, tudo tudo tudinho até o fim da vida e além, isso na dependência, é claro, da existência de vida após a morte, mas aí é muita viagem para uma terça-feira à noite. Reservemo-nos para uma quinta. Até.
